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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Esmaltes e um buraco vazio

Ando insatisfeita com esmaltes. Troco de esmalte duas vezes por semana e quero comprar uma cor nova cada vez que pinto as unhas. 
E nunca acho a cor certa que estou procurando. Na verdade, troco tanto porque não sei qual cor estou procurando.
 Ando insatisfeita com esmaltes. Ando insatisfeita com esmaltes, com hidratantes perfumados e comigo mesma. Ando comprando coisas inúteis demais. 
Comprando coisas demais pra preencher um vazio interno que não precisa de esmalte, de hidratante perfumado ou de nenhuma outra coisa que se possa comprar pela internet.
Dizem que a solidão é o mal do século. Eu concordo. Solidão é ter amigos, ter um namorado, ter uma família linda, ter milhares de admiradores. E não ter a si mesma. Solidão é viver numa sociedade cada vez mais superficial, cada vez mais consumista, que julga as pessoas pela aparência e pelo tanto de dinheiro que elas têm. Solidão é o que move a internet hoje – e sempre. Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters da vida se popularizam cada vez mais. Queremos amigos, queremos mensagens fofas, queremos depoimentos que dizem pro resto do mundo o quanto somos lindos, cheirosos e bem amados. Queremos mostrar fotos das viagens pra Europa, queremos mostrar fotos com trinta amigos diferentes, queremos mostrar foto do namorado novo da semana, queremos mostrar fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer, queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. Queremos falar, o tempo todo, que temos amigos, amor e dinheiro. Mostramos (ou, pelo menos, tentamos mostrar) pro mundo que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem pra Europa foi financiada em mil vezes ou foi paga pela empresa, os trinta amigos da foto só são amigos na hora da foto e não são pessoas que se importam de verdade no dia-a-dia. E os novos amores se vão a cada semana.
Queremos ter mil amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme no cinema quarta-feira à noite. Queremos nos comunicar com todo mundo do Facebook e “reativar” amizade com pessoas com as quais mal falávamos “oi” dois anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho no elevador. Adicionamos Deus e o mundo no maldito MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos três frases ao longo do ano. Pessoas verdes online com as quais mantemos relações virtuais 24 horas por dia. Tudo muito superficial. Tudo muito virtual. Tudo fruto da nossa maldita carência, tão maldita quanto essas relações virtuais infundadas. Precisamos nos afirmar pro mundo e pra nós mesmos. Precisamos nos encaixar nos padrões atuais de pessoa bem-sucedida e amada pra sermos aceitos.
Mas o vazio está lá. Nas tardes de domingo. Nas compras virtuais cujo encantamento acaba assim que o produto chega à nossa casa. Esperamos encontrar a felicidade no Macbook novo, no celular com mil funções que não toca, nas novas cores de esmalte que são lançadas toda semana, nos hidratantes perfumados, nos xampus caros. Compramos pra ter companhia. Compramos pra preencher um vazio interno. O mesmo vazio que tentamos preencher com amigos virtuais, relacionamentos virtuais e mentiras virtuais. Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem. Despistamos nossa carência aguardando um produto chegar pelo correio. Nos tornamos tão superficiais quanto nossos relacionamentos virtuais. Nos tornamos tão efêmeros quanto os esmaltes da cor da moda. E continuamos nos sentindo vazios. E trocando a cor do esmalte a cada semana.

Cafajestes e Mulheres evoluídas

Eu não sou uma pessoa romântica e queria que isso ficasse bem claro desde já. Não espere de mim carinhas meigas ou frases feitas. Eu não vou dizer que te amo com duas semanas de namoro. Nem se eu forçasse todo o romantismo que não tenho. Não me mande flores no dia seguinte de ter aprontado comigo. Elas vão todas pro lixo assim como qualquer possibilidade da gente ter algo mais sério. E, sim, eu falo palavrão. Até porque um bom palavrão ajuda a lavar a alma, aliviar a dor e espantar o tédio. Então não faz essa cara de espanto toda hora.

Não tem a mínima condição de eu saber se eu quero algo sério com você em tão pouco tempo que te conheço. E, por favor, não me pressione. Vai ficar chato e eu vou pular fora. Sou meio homem nessas horas. Não me faça sentir culpa por querer interagir com você sem compromisso. Tempos modernos, entenda isso. Mais cedo ou mais tarde, vocês homens iam provar do próprio veneno. Foi bom pra você? Eu sei. É chato mesmo quando você quer algo sério e a pessoa só quer curtir. Mas faz parte da pesca. Como dizia meu ex: um dia da caça, o outro da pesca.

E hoje você é a minha caça. E não precisa embrulhar pra viagem, não, que eu vou devorar agora mesmo. Consumo imediato e instantâneo. Você não fazia isso com as outras antes? Eu te achei uma carinha bonita, mas por aqui onde eu moro tá cheio disso. E eu preciso de muito mais do que uma carinha bonitinha pra te querer. To dizendo querer com a alma, sabe? Querer, querer mesmo. Por enquanto, não. Por enquanto te quero mas de outro jeito - se é que me fiz clara. Pra eu te querer, querer mesmo, precisa de muito mais que isso. Faz um esforço, adota um animal, sei lá. Mas achar que vai me conquistar tirando a camisa na webcam não dá, né?!

Reconheço um cafajeste a quilômetros de distância. Porque eu atraio esse tipo. E, se eu te atraí, com certeza foi por isso. Você não passa de um cafajeste disfarçado de bom moço pra me conquistar. Conheço bem esse papo de romantismo. Banca o bom moço, se diz bem intencionado e dá o bote. Já vi esse filme. Esse tipo são os piores. Porque mulher acredita em homem “bom”. Acredita no príncipe encantado, no homem ideal, na cara metade e nesse monte de baboseira reforçada pela cafajestagem do mundo.

Mas sabe o que? Eu evoluí. Como um Pokemon moderno, eu evoluí. Aprendi a separar os bons moços dos moços como você. Otários. Babacas. Bananas, na verdade. Um bando de homens carentes de merda que usam as mulheres pra se sentirem bem. Usam e descartam. Usam enquanto precisam delas e descartam quando encontram a próxima infeliz. Mas essa não sou eu mais. Cansei de ser a infeliz na mão de otários como você. Virei a feliz e comecei a fazer do meu jeito. E o meu jeito é dispensar tipinhos manjados como o seu. Nesse papo, não caio mais. A romântica, a sonhadora, a fiel: morreu. De desilusão. Mas a boa notícia é que existe vida após essa morte. Isso eu te garanto. E olha, to me sentindo mais livre. A verdade liberta mesmo. E hoje, prefiro os homens de verdade. De carne e osso. E coração. Porque os cafajestes são personagens 24 horas. Robozinhos programados pra saber sempre o que falar pra uma mulher. E isso, não quero mais. Cafajestes não têm coração.

O homem da relação

Deixa eu só pontuar uma coisinha com você: eu não gosto de ser o homem da relação. Eu sei fazer tudo que um homem faz (quase tudo), mas eu gosto que façam por mim. Eu não vou trocar o pneu do meu carro na sua frente, apesar de eu fazer isso muito bem. Eu não vou dirigir enquanto você me olha. Sim, pode me chamar de machista, mas eu gosto de ser o lado frágil da relação.

Eu gosto que você abra a porta do carro, mesmo que seja só de vez em quando pra me agradar. Eu gosto que você dirija o meu carro, mesmo que eu faça isso melhor que você. Eu gosto que você carregue as sacolas de supermercado, mesmo que eu aguente todas elas. Eu gosto que você me leve ao médico quando eu fico doente, mesmo que eu consiga ir sozinha. Eu gosto que você me apóie quando eu estou triste, mesmo que seja por uma coisa aparentemente sem importância.

Eu gosto de ser cuidada por alguém. Gosto de ser o lado mulherzinha da relação. Gosto que você faça os planos. Que você escolha o destino. Que você trace os roteiros. Que você assuma o comando. Que você me guie (mesmo que eu não te siga). Eu gosto de alguém que eu possa admirar. De quem eu tenha orgulho. Gosto que você saiba aonde vai me levar sábado à noite. Eu gosto de ser conduzida.

Detesto homem sem vontade própria. Detesto as respostas do tipo “você que sabe” quando eu pergunto uma coisa simples como “onde você quer sentar?”. “Você que sabe”??? Como assim eu que sei onde você quer sentar? Não era pra cada um saber o que cada um quer? Detesto homem sem atitude. Sem vontade. Detesto homem frouxo. Detesto homem indeciso. Inseguro. Insegurança acaba com qualquer tesão. E nem estou falando de sexo.

Detesto homem que divide conta de trinta Reais. Paga a porra da pizza que depois eu pago o cinema, pode ser?! Não vem dividir pizza de trinta Reais da promoção que você comeu sete pedaços e eu comi um! E mesmo que eu tivesse comido todos os pedaços. Homem que faz conta de miséria é o fim do mundo. E olha, tenho meu dinheiro, não preciso do seu. Estamos falando de gentilezas aqui. Não estou querendo que você banque meus luxos nem pague minhas contas. Mas, por favor, não me chame pra tomar um vinho e me faça pagar a metade da garrafa. É brochante!

Me proteja. Faça eu me sentir segura do seu lado. Seja meu ponto de partida e meu destino final. Segure a minha mão. Me pegue no colo quando eu precisar. Seja meu colo. Abra um guarda-chuva pra mim quando for chover. Me abrace quando eu chorar. Diga que tudo vai dar certo mesmo que você não faça a mínima idéia do que está falando. Fique do meu lado quando eu precisar de você, mesmo que você não saiba o que me dizer. Porque eu vou estar do seu lado nos momentos bons e nos momentos ruins. Posso pagar todas as pizzas de trinta Reais no mundo se um dia você precisar. Posso trocar os quatro pneus do seu carro se, por algum motivo, você não puder fazer isso. Mas enquanto isso, seja gentil. Seja cortês. Seja cavalheiro. Seja um gentleman. Seja o homem da relação.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando porque isso seria incompetência minha.

Não preciso de ninguém pra me dizer o quanto sou linda, gostosa e inteligente. 
Pra isso, tenho espelho, academia, papel e caneta.